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Neoplasia Maligna de Bexiga

-Incidência: 4ª causa no homem e 6ª na mulher

-Prevalência: a partir da 6ª década

-3% dos tumores

-Homem: Mulher - 4:1

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Classificação Anátomo-patológica
 

Epiteliais (99%)

 

1)  Carcinoma urotelial – 90%

2)  Carcinoma epidermóide – 6 - 8%

3)  Adenocarcinoma – 2%

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Não epiteliais (1%)

Carcinoma de pequenas células

Linfomas
Carcinossarcoma
Tumores sarcomatóides, Melanomas

Sarcomas, Paragangliomas

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Carcinoma Epidermóide

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-No Egito – alta incidência (75%)

-80% Schistosoma haematobium

 

Outros fatores:

-Processos inflamatórios crônicos 

-Cálculo urinário

-Cataterismo vesical prolongado

-ITU crônica

-Obstrução infravesical

-Divertículo vesical

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Doença invasiva; 86% estádio pT3-4

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Adenocarcinoma

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Origem:

- úraco (1/3)

- Não úraco

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Prognóstico desfavorável ?

 

Também metastáticos:

-Reto

-Estômago

-Endométrio

-Mama, Próstata, Ovário

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-Associação com extrofia vesical

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Ponto de vista prático

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l1) TUMORES SUPERFICIAIS > MUCOSA / SUBMUCOSA (Ta, Tis, T1)

(75%)

l2) TUMORES PROFUNDOS > INVASÃO DA MUSCULAR (T2-T4)

(20%)

l3) TUMORES METASTÁTICOS

(5%)

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Estadiamento - Resumo

​

Ta = urotélio (epitélio, restrito à mucosa)

Tis = carcinoma in situ

T1  = lâmina própria (subepitelial) / muscular da mucosa (muscularis mucosae)

T2  = muscular (músculo detrusor da bexiga)

T3  = tecido adiposo perivesical (extensão através da parede vesical)

T4  = órgãos adjacentes

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“Muita” Confusão:

​

Muscular da mucosa (T1) e

Músculo detrusor da bexiga (T2)

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Fatores de Risco

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a) Tabagismo

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Principal

risco 4x maior

após a cessação do hábito, a redução de risco leva até 20 anos para retornar aos níveis de um não-tabagista

​

b) Fatores ocupacionais – aminas aromáticas

couro, tintas, corantes, borracha

trabalhadores de fábricas de corantes e borracha

 

c) Radioterapia

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d) Outros: Ciclofosfamida (quimioterápico), Fenacetina (analgésico)   

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Sinais e Sintomas

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Clínica

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HEMATÚRIA MACROSCÓPICA - NORMALMENTE INTERMITENTE - INDOLOR

​

COM OU SEM COÁGULOS

INTENSIDADE DA HEMATÚRIA - NÃO TEM RELAÇÃO COM ESTADIAMENTO OU TAMANHO DO TUMOR

AVALIAR SINTOMAS IRRITATIVOS - PACIENTES IDOSOS - CA IN SITU

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​

Exames complementares

​

1) laboratoriais

Hemograma, creatinina, urina, citologia oncótica

 

2) radiológicos

UGE - falhas enchimento da bexiga

US

TC, RNM – estadiamento, linfonodos, infiltração parede, desafio: altos índices de falso positivo e falso negativo

 

 

3) endoscópicos

Cistoscopia:  tamanho, localização, número, características do tumor

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Tratamento

 


Procedimento cirúrgico

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​

Exame físico sob sedação, toque (palpação) bimanual

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Uretrocistoscopia armada (RTU de tumor vesical)

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Carcinoma urotelial

 

Aspecto endoscópico:

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Papilífero

Séssil

Infiltrativo

Nodular

Misto

Ca in situ

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Após RTU do tumor vesical

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Interpretação do Anátomo Patológico

Tumor superficial

Tumor profundo

Definição da conduta

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Classificação TNM 2014

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TX - O tumor primário não pode ser avaliado

T0 - Não há evidência de tumor primário

Ta - Carcinoma papilífero não invasivo

Tis - Carcinoma in situ: “tumor plano”

T1 - Tumor que invade o tecido conjuntivo sub-epitelial

T2 - Tumor que invade músculo

T2a - Tumor que invade a musculatura superficial (metade interna)

T2b - Tumor que invade a musculatura profunda (metade externa)

T3 - Tumor que invade tecido perivesical

T3a - microscopicamente

T3b - macroscopicamente (massa extravesical)

T4 - Tumor que invade qualquer uma das seguintes estruturas:

próstata, útero, vagina, parede pélvica ou parede abdominal

T4a - Tumor que invade próstata, útero ou vagina

T4b - Tumor que invade parede pélvica ou parede abdominal

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A) Superficiais ( Ta, Tis, T1) - 75% 

​

A.1) – Baixo Grau

A.2) – Alto Grau

    70 % Ta - eg baixo grau

    30% Ta, Tis ou T1 - eg alto grau

 

B) Profundo / Invasivo (T2, T3, T4) – 20%

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Fatores de recidiva / risco de recorrência

​

1) estágio avançado /  grau histológico do tumor

2) presença de Tis

3) tamanho da lesão

4) lesões múltiplas

5) mutação do gene P53

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Tratamento

​

1) TUMOR SUPERFICIAL

Ressecção endoscópica da bexiga, associado ou não à terapia intravesical

​

2) TUMOR INVASIVO

Cistectomia parcial / radical + derivações urinárias

​

3) TUMOR METASTÁTICO

Quimioterapia / Radioterapia

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Tumores Superficiais  
Classificação de Risco

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-Risco Baixo=

  - Ta baixo grau, < 3cm

  - conduta = sem tto complementar ou QT intravesical

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-Risco Intermediário =

  - Ta alto grau, ou > 3cm

  - T1 baixo grau

  - risco baixo, multifocais ou recidivados

  - conduta = QT intravesical ou Imunoterapia intravesical / BCG

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- Risco Alto =

     - T1 alto grau

     - Tis

     - risco intermediário multifocais ou recidivados

          - conduta = BCG ou re RTU, discutir cistectomia

 Re RTU

   3 - 6 sem apos à ressecções incompletas e todos T1 alto grau

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​

Terapia intravesical

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(1º solicitar URC e U1)

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1) Quimioterapia intravesical

2) Imunoterapia intravesical

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Quimioterapia intravesical

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(mitomicina ou doxorrubicina)

usar para baixo / intermediário risco de recorrência ou progressão

- Mitomicina intra-op ou ate 24hs

    - indução = mitocin 40mg (8 amp - 1amp 5mg) + 40 ml AD em 1 h com SVD fechada, sem irrigar; ao final irrigar com 1 litro SF por 30 a 60 min e descartar SVD em local apropriado

    - manutenção = 20mg mensal, 1 ano

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​

Imunoterapia intravesical - BCG

​

Imunoterapia é melhor QT

usar para risco intermediario/alto de recorrência ou progressão

 

Nunca usar bcg no intra-op

​

Não usar em pctes com hematúria e apos cateterização traumatica

​

Início 3 a 4 sem apos RTU bx

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esquema de indução (6 amp) =

-immucyst 81mg - cepa Connaught (inst. Pasteur - SP) ou

-onco bcg 40mg - cepa Moreau - Rio de Janeiro (inst Butantan - SP e fundacao Ataulpho de Paiva - RJ)

​

diluir 1 amp em 50 ml SF e aplicar na bexiga 1x/sem por 6 sem

por 2 horas, 15 min em cada lado

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​

- se INTOLERANCIA ao BCG =

- fluorquinolona, ofloxacina (500mg antes e depois da dose)

- reduzir para 1/3 da dose = 27mg

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​

SWOG

(cepa Connaught)

esquema manutenção=

ciclos de 3 semanas apos 3 e 6 meses, seguidos de 6 em 6 meses por 3 anos

(mês 3, 6, 12, 18, 24, 30, 36)

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Falha terapia intra-vesical
 

quimioterapia > bcg

bcg > discutir cistectomia

​

Falha ao bcg

- interferon alfa2B + dose baixa bcg

- valrubicina

- hipertermia

- outros

- nao usar mitomicina

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Cistectomia

​

 invasão muscular (> = T2)

 Tu superficial recidivado, refratários a terapia intravesical

 T1 alto risco progressão (alto grau, multifocal, Tis, tamanho tumor)

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Neobexiga ileal ortotópica – técnica de Studer

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Derivação urinária incontinente a Bricker

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ca Bexiga Invasivo

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Cistectomia radical

- T2 N0 M0 = Cistect radical

- T2 N1 = Cistect radical + QT adjuvante

- >=T3 QN M0 = QT neoadjuv + cistect radical

 

Qt – neoadjuvante (down-stage, sugere redução recorrência local, melhora sobrevida) - agente mais importante > cisplatinum

Rt – neoadjuvante, adjuvante

​

Tto multimodal ( RTU + Qt + Rt) –

alternativa em casos selecionados, quando cistectomia não é recomendada por razões clinicas e pessoais

 

 

Ca Bexiga Metastático

​

Quimioterapia

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- MVAC -

    Metotrexate, Vinblastina, Adriamicina, Cisplatina

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- GC -

    Gencitabina, cisplatina

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Prognóstico

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1) estadiamento da doença

2) do potencial biológico de progressão do tumor

3) do desenvolvimento de metástases

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História Natural - sobrevida em 5 anos

​

96% para tumores localizados

51% para tumores invasivos

07% para tumores metastáticos

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Considerações importantes

​

1) Grande característica do tumor de bexiga é recidiva local – 80%

2) Drogas intravesicais utilizadas = mais eficiente BCG

3) Tumores superficiais - 15 a 30% progridem - invadem musculatura / metástase

4) Necessidade de acompanhamento contínuo com cistoscopia - classicamente a cada 3 meses por no mínimo 2 anos

5) Citologia oncótica – prático, mas não confiável

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Mensagem importante

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Sempre que possível preservar a bexiga

Sem colocar em risco a progressão da doença

Sem possibilitar metástases e conseqüente óbito

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